quinta-feira, 30 de julho de 2015

Zigrah, Terror do Planeta (1971)

Zigrah, Terror do Planeta (1971)


Título(s) em Inglês: Gamera vs. Zigra

Elenco: Koji Fujiyama, Reiko Kasahara, Isamu Saeki, Yasushi Sakagami, Eiko Yanami

Diretor(es): Noriaki Yuasa

Produtor(es): Hidemasa Nagata, Yoshihiko Manabe

Sinopse: Uma astronauta na lua é sequestrada e hipnotizada por um ser alienígena chamada Zigrah. Dois cientistas humanos (um japonês e um branco) e seus filhos (um garoto e uma garota) são raptados por Zigrah como parte do seu plano para destruir o mundo. As crianças conseguem escapar e são salvos pela Gamera. A Gamera consegue destruir o disco voador do Zigrah, que então revela a sua verdadeira forma: um tubarão mutante espacial!

Zigrah, Terror do Planeta foi o último filme da série original do Gamera antes do estúdio Daiei entrar em falência no mesmo ano. O Daiei parou operações durante três anos, voltando a produzir filmes em 1974, mas com um volume bem menor do que havia feito antes. A série Showa de Gamera ficou em coma até 1980, quando a produção ultra-barata Super Monster Gamera foi lançada. Super Monster Gamera foi composta quase inteiramente de cenas de todos os filmes anteriores do Gamera, contando com apenas dois minutos de cenas novas de efeitos especiais. Havia planos para filmar um filme original, Gamera vs. Garasharp, em que a tartaruga gigante lutaria contra um grande serpente no estilo de Manda. Mas o projeto não foi para frente—hoje os storyboards desse filme abortado podem ser vistos facilmente pela internet. Então, se o Zigrah, Terror do Planeta for considerado como o último filme mesmo da série, lamentaremos dizer que que os cineastas conseguiram deixar o poço mais fundo ainda do que vimos em Destruam Toda a Terra!

Como nos três filmes anteriores, o orçamento aqui estava obviamente limitado, embora os cineastas resistiram a tentação de roubar mais cenas dos outros filmes. Em vez disso, o cenário é em grande parte limitado para um parque aquático e uma porção razoável da duração do filme é composta de filmagens feitas dos animais do parque. A história trata mais uma vez de uma invasão extraterrestre, esta vez pelo ser Zigrah, que é um tubarão espacial (!) inteligente. Ele alega que os oceanos do seu planeta foram estragados pela “ciência terráquea,” que não faz sentido, já que ninguém no filme ouviu falar desse filme e em momento nenhum foi estabelecido nos filmes anteriores que os homo sapiens possuía a tecnologia necessária para viajar para outras galáxias. Zigra quer conquistar os oceanos da Terra e usar a raça humana como alimentação, e pretende causar terremotos para esse fim (preste atenção: tudo que tem haver com destruição de cidade é descrito pelos personagens em vez de ser mostrado através de efeitos especiais).

Opondo-se ao Zigra são duas crianças—uma garota branca, Helen (Gloria Zoellner), e um garoto japonês, Kenichi (Yasushi Sakagami)—que são mais jovens ainda do que os pré-adolescentes dos filmes anteriores. Como o Zigrah é capaz de causar terremotos que matam dezenas de milhares de pessoas mas não consegue matar dois mirins é bastante confuso. Ainda mais que essas crianças não exibem a mesma inteligência precoce que os protagonistas dos filmes anteriores demonstraram. Eles passarão boa parte do filme fugindo da mulher que trabalha pelo Zigra (estrelada por Eiko Yanami, mais famosa por aparecer na série de Koukousei, um dos quais foi lançado no Brasil como O Jogo do Sexo) ou arrumando alguma confusão com os seus pais (o pai da Helen é estrelado por ator japonês Koji Fujiyama, que apareceu nos primeiros dois filmes do Gamera e alguns filmes da série Lobo Solitário) e você, o telespectador, passará boa parte do filme perguntando-se por que ninguém consegue matá-los.

Gamera não tem muito para fazer até a segunda metade do filme, quando ele finalmente ataca o navio espacial do Zigra, que está estacionado abaixo do mar. O bafo flamejante do Gamera aparentemente funciona normal abaixo da água(!) e ele consegue destruir o navio, libertando o Zigra. A primeira luta é uma das mais entediantes da história do kaiju eiga, em que ambos os monstros ficam balançando suas patas/barbatanas e fazendo quase nada durante mais parte da cena. No final, o Zigra atinge o Gamera com um raio paralisador e deixa o Gamera como estátua. Os dois lutam no final do filme, que é notável pelo momento quando o Gamera toca a sua música de tema nos espinhos dorsais do Zigra.

Zigra parece um tubarão duende metálico e provavelmente foi a inspiração para Knifehead, o kaiju que luta contra Gypsy Danger no começo de Círculo de Fogo do Guillermo del Toro. A ideia de um tubarão kaiju é fascinante, mas o problema dele (e os outros monstros do Gamera) é a falta de uma aparência antropomórfico, o que limita os seus movimentos, principalmente na hora de lutar. A ideia de usar a cabeça como uma navalha é interessante, mas é a única técnica de luta que tem. Os filmes de Godzilla durante os anos 70 sofreram cortes parecidos no seu orçamento, mas o desenho geral das criaturas permitiam um range maior e mais diversificado de ataques, fazendo as lutas dos monstros muitas vezes mais interessantes. Aqui, a falta de movimento junto com a mesma trilha pouca inspirada dos outros filmes do Gamera tornam o que deveriam ser as cenas mais cheias de emoção num verdadeiro tédio.

Lamentável tudo isso, pois Zigrah, Terror do Planeta poderia facilmente ser um dos filmes de kaiju mais sombrios desde Gojira/Godzilla, o Monstro do Mar, se não fosse pela falta de grana e a insistência nos produtores em ter crianças como o público alvo. Os filmes do Gamera sempre eram mais sombrios do que os filmes do Godzilla apesar de serem mais infantis no seu exterior. Mas aqui supera os outros filmes. Entre os terremotos na Índia e em Tóquio, o número de mortos facilmente poderia superar o número de pessoas que perderam a sua vida quando o Godzilla atacou pela primeira vez. Em uma cena, podemos ouvir a voz do rádio comentando no número de famílias mortas pelo Zigra. Se tirasse os atores mirins chatos e gastasse mais uns ienes em construir miniaturas, poderia ter sido um filme que nos lembraria o quão perigoso uma batalha de monstros realmente é. Do jeito que é, parece mais um detalhe de um filme ruim que nos lembra o quão pouco dinheiro tinham para produzi-lo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário