terça-feira, 18 de agosto de 2015

Godzilla 2000 (livro): Uma Resenha

Godzilla 2000

Autor: Marc Cerasini
Ano de Publicação: 1997
Editora: Random House
Páginas: 324


A história de Godzilla 2000 começa apenas algumas meses após os eventos de Godzilla Returns. Almejando uma escala bem maior do que o primeiro livro, o Cerasini nos dá um livro com várias tramas diferentes, (quase) todas interligadas pela presença do G-Force, uma organização militar composta de jovens com o intuito de proteger os EUA do Godzilla e qualquer kaiju que poderia surgir. A maneira de recrutar jovens é bastante interessante: um vídeo game popular nas fliperamas com câmeras escondidas que identificam os jogadores mais talentosos e investigam a sua vida, sem que eles saberem! O último recruto desse processo é o Kip Daniels, um jovem de uma família desestruturada morando nos guetos de Los Angeles. Ele logo se torna o membro mais talentoso da equipe, embora o seu receio moral em lutar contra Godzilla ameaça a união do time.

Durante o treinamento do G-Force, uma praga de monstros desce sobre a terra. Dois monstros pré-históricos aparecem na América do Norte: Rodan, um “pássaro de trovão” mítico aparece no Ártico e voa em direção a Canadá; e Varan, um lagarto gigantesco que ataca o México. Além disso, Godzilla volta das profundezas do Oceano Pacífico e nada rumo à Califórnia. Mas isso não é tudo. Astrónomos descobrem que um grupo de asteroides, o mesmo que atingiu a terra no final da Era Cretácea, encerrando o reinado dos dinossauros, está vindo em direção à Terra. Pouco tempo depois da sua descoberta, uma raça de louva-deus gigante surge no central dos Estados Unidos. E, por falar em insetos gigantes, Lori Angelo, membro do G-Force, começa a sonhar com uma entidade chamada Mothra (vindo de “moth”, que significa “mariposa” em inglês). Mas tudo isso é apenas o começo. Há uma celebridade em Hollywood, um médio que usa o apelido “A Profetista do Destino”, que começa a sonhar com a vinda do Rei do Terror: um monstro conhecido como King Ghidorah.

De um livro para outro, o Cerasini aumenta o seu fardo de escrever sobre apenas um monstro para seis monstros no mesmo livro. Isso é bom e ruim. Por um lado, fãs dos filmes de Godzilla irão se divertir muito com as novas interpretações dos monstros clássicos, principalmente o Varan, que recebeu pouco amor por fãs e cineastas e agora é um dos monstros principais do livro. Depois do Godzilla, ele é o segundo monstro que mais tem uma arca dentro da história. Eu pessoalmente gosto muito dele, e o fato que ele ocupa boa parte dos primeiro e segundo atos livro foi um ponto bastante positivo para mim. Também gostei na nova interpretação do G-Force, entidade que apareceu tanto nos quadrinhos publicados pela editora Dark Horse quanto nos filmes dos anos 90. Como no livro anterior, as cenas de ação têm bastante detalhe militar, e o Cerasini não poupa esforço em nomear cada arma, jata, tanque e míssil que é utilizado nas frequentes batalhas entre o exército americano e os monstros. Bastante interessante é que a história de Godzilla entrando nos Estados Unidos via San Francisco e atravessando o país para enfrentar o seu inimigo mortal, King Ghidorah, em NYC é bastante parecido como o roteiro do projeto Godzilla vs. The Gryphon.

As interpretações dos monstros é de assustar, outro ponto no favor do livro. Os filmes de Godzilla de qualquer época são bastante divertidos, mas raramente são capazes de assustar uma criança acima de 6 ou 7 anos. Talvez por não ter uma classificação como filmes, mas Cerasini tem mais liberdade de escrever como um ataque de um monstro gigante realmente seria. E como o filme Cloverfield: Monstro (2008), não é muito divertido não. Milhares de pessoas morrem no livro. Os Kamacuras, os louva-deus gigantes, devoram os habitantes de várias cidadezinhas. Varan faz a mesma coisa. Godzilla traz consigo não apenas a destruição, mas a doença de radiação para qualquer pessoa azarenta que estiver perto dele. King Ghidorah reduz cidades inteiros a cinzas numa questão de minutos. E o Marc Cerasini nunca deixa de nos lembrar que aqueles soldados infelizes convocados para lutar contra os kaiju são pessoas e não meros figurinos sem nome.

Apesar da diversão do livro, ele não é perfeito. Há tanta coisa acontecendo, com tantos monstros destruindo o mundo, que vários aspectos da história parecem ser subdesenvolvidos. O pior é o Rodan, cuja trama, desde a sua origem até a sua saída, é completamente desligada do resto dos eventos da história. Em outras palavras, o livro não sentiria falta nenhuma do Rodan se fosse tirado. A mesma reclamação poderia ser feita contra Kamacuras, embora a origem deles está relacionado à origem do King Ghidorah. E, mais importante, a batalha aérea entre eles e a Fora Aérea americana é extremamente legal (e um dos poucos momentos em que os humanos têm chance contra os monstros). Outra reclamação que tenho é contra Mothra. Apesar da sua presença ser mais ou menos constante pela duração do livro, a sua “grande” contribuição à trama é “ela tinha que guiar o Godzilla até NYC.” Suponho que isso faz sentido se supor que o Japão era o território natural dele, mas isso poderia ser feito através de outro mecanismo de história sem introduzir outro monstro à história. Se o seu papel contra King Ghidorah fosse maior, talvez iria justificar a sua presença no livro.

Outra observação eu já fiz é que há muitos personagens secundários neste livro. Quase toda pessoa que aparece no livro é dado um nome e (pelo menos) uma motivação e/ou breve biografia. Muitos personagens são introduzidos no começo do capítulo, só para morrer dentro de dez páginas. Isso não seria estranho (pois lembrar-nos que os monstros estão matando pessoas faz o livro ser mais assustador), só que o epílogo conta o “depois” de personagens que apareceram por uma ou duas páginas, e, em um caso, de alguém que simplesmente foi mencionado por nome no livro. Vale mencionar que alguns personagens do livro anterior, como Nick Gordon, Emiko Takado e Brian Shimura voltam brevemente neste livro. Shimura, que nem foi muito interessante em Godzilla Returns, não faz nada interessante aqui. Nick Gordon tem papel um pouco mais importante, principalmente no final. Emiko Takado sofreu uma mudança bizarra, pois agora não é mais Tenente Emiko Takado do exército e sim Dra. Emiko Takado, kaijuóloga.

Apesar das minhas críticas, Godzilla 2000 é uma leitura imprescindível para fãs (que falam/lêem inglês, pois não foi traduzido para Português).

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