sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Godzilla At World's End - Uma Resenha

Godzilla At World's End

Autor: Marc Cersasini
Ano de Publicação: 1998
Editora: Random House
Páginas: 323

Godzilla At World's End, o terceiro livro na série de romances de Godzilla escritos para fãs e adolescentes, é uma obra bastante ambiciosa do Cerasini, até mais do que o livro anterior, Godzilla 2000. Além de aumentar o escopo do perigo (o mundo inteiro entra em colapse neste livro), o Cerasini homenageia não apenas os filmes japoneses de ficção científica, mas também as obras literárias de Jules Verne, Edgar Rice Burroughs e H.P. Lovecraft.

Em Godzilla 2000, uma das protagonistas secundárias foi uma jovem repórter chamada Robin Halliday. O personagem dela passou o livro acompanhando a destruição realizada pelo monstro Varan. Quase um ano após os eventos do livro, ela agora é apresentadora de um show chamado Teen Beat, um tipo jornal de televisão voltado para adolescentes. Um dos projetos dela é o lançamento de um dirigível, o Destiny Explorer, com uma tripulação que inclui quatro jovens gênios, vencedores de um concurso de ciência. Os participantes são Leena Sims (engenharia de computação), Michael Sullvian (um hacker), Peter Blackwater (botânica) e Ned Landson (biologia marinha). Os quatro jovens são acompanhados na viagem pela Halliday, o Nick Gordon (dos outros dois livros), e a tripulação técnica do dirigível, inclusive Shelly Townsend, outra jovem e filha do engenheiro que desenhou o navio.

Durante a viagem, vários monstros surgem de Antártida e começam a destruir cidades em continentes diferentes. Um besouro mutante, Megalon, ataca Lima, Peru. Gigan, um cyborg, destrói todos os satélites em órbita antes de trazer o seu reino de fogo para Rússia. Manda, um serpente gigante, surge das águas do South China Sea para atacar Xangai. Finalmente, Hedorah, um monstro feito de gosmo e poluição, traz a morte para Osaka. Enquanto um contingente de monstros "bons", como Godzilla, luta contra essas aberrações, o Destiny Explorer adquire mais passageiros: um pelotão de soldados americanos. A missão: ir até Antártida e descobrir quem (ou o que) criou esses monstros.

Fora dos monstros japoneses, a maior influência sobre o Cerasini neste livro é o H.P. Lovecraft. O cenário em Antártida e a presença de "Anciões" monstruosos habitando abaixo do gelo naquele continente é uma homenagem ao romance Nas Montanhas da Loucura. Cerasini também inclui a universidade fictícia Miskatonic University, que aparece em boa parte dos contos do Lovecraft (e outros contribuintes à Mitologia de Cthulhu). O autor até faz menção ao artista Nicholas Roerich, algo que apenas os fãs hardcore do Lovecraft irão perceber. A viagem num dirigível e o personagem Ned Landson são homenagens às obras do Jules Verne, além da ideia da terra oca (também popular nos escritos de Edgar Rice Burroughs).

A vantagem que este livro tem sobre o último livro é que o enredo é mais focado. Todos os monstros do mal têm a mesma origem, então a história evita a sensação que é nada mais do que uma série de eventos ataques aleatórios por monstros diferentes. Além disso, os personagens principais também habitam o mesmo espaço geográfico durante boa parte do livro, então a trama parece estar mais "unida". Também, há mais luta entre monstros para fãs desse tipo de coisa (nem consigo imaginar quem seria). Na verdade, a estrutura do livro me lembra muito de um protótipo para o filme Godzilla: A Batalha Final (a destruição do mundo, uma parte da trama que ocorre em Antártida, a ideia de Godzilla viajando de cidade em cidade para lutar com monstros diferentes, etc.).

Há algumas falhas na trama, porém. Mais uma vez, há tantos protagonistas que é difícil saber quem é o principal no final. No começo, há toda indicação que será a Robin Halliday (e o Nick Gordon). Depois, parece que vão ser os quatro jovens gênios. Mais para frente, a Shelly Townsend e Sean Brennan (líder do pelotão) recebem mais atenção do autor. A protagonista que desenvolve mais como personagem é a Leena Sims, mas ela passa boa parte do livro trancada no seu quarto dentro do Destiny Explorer.

Da mesma forma, Cerasini coloca nada menos do que dez monstros no entrecho. Alguns deles, como Megalon e Gigan, deixam uma forte impressão. Outros, como Battra e Rodan, aparecem só para ter uma luta breve, e depois somem completamente da trama. O pior (mais uma vez) é a Mothra, que aparece uma vez nos sonhos da Leena e a adverte sobre o que há em Antártida, mas não faz nada depois disso. Cerasini poderia ter tirado a Mothra facilmente da série como um todo sem perder nada da história. Alguns leitores podem não gostar da batalha inconclusiva entre Godzilla e Biollante, um favorite dos fãs, no final.

Como sempre, as descrições de armas militares do Cerasini e as cenas de ação são extremamente bem escritas. Os detalhes referentes aos locais geográficos também são bastante impressionantes. O Cerasini realmente fez a lição de casa em preparação para este livro, bem como os outros dois. E, mais importante, o livro nos lembra de quão horroroso é estar no meio de um assalto por um monstro gigante (ex. quando a marinha chinesa ataca a Manda, que está enrolada em volta de um prédio, e mata centenas com balas perdidas).

Como os outros livro Godzilla At World's End não é perfeito, mas é uma ótima aventura para fãs de monstros e ficção científica em geral.

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