quinta-feira, 6 de agosto de 2015

King Kong X Godzilla (1962) - Parte 1: A Origem

King Kong X Godzilla (1962) - Parte 1: A Origem
 
 
A história de King Kong X Godzilla começa com a carreira trágica de Willis O’Brien. O’Brien foi um dos pioneiros da técnica de efeitos especiais conhecida como “stop motion”. Stop motion é feito através de bonecas de massinha, em que a boneca é filmada uma fotograma por vez, com o técnico fazendo pequenos movimentos com a boneca antes de filmar a próxima fotograma. Ao juntar todas as fotogramas, dá-se a impressão de que a boneca está se mexendo sozinho. Willis O’Brien ganhou bastante fama durante a era de filmes mudos por suas curtas metragens utilizando dinossauros, como Dinosaur and the Missing Link (trad. Dinossauro e o Elo Perdido), que contem o primeiro dinossauro cinemático. Em 1925, o filme O Mundo Perdido estreou no cinema e fez bastante sucesso nas bilheterias. Isso abriu a porta para o seu próximo projeto, King Kong (1933). King Kong fez tanto sucesso que foi exibido nos cinemas mais duas vezes durante a década de 30, mais algumas vezes na década de 40 e no começo da década de 50.



É lógico que King Kong não seria o clássico do cinema mundial se não fosse pelos efeitos especiais montados pelo Willis O’Brien. Seria lógico imaginar que um sucesso desse tamanho garantiria trabalho para O’Brien pelo resto da sua carreira, mas isso não é o que aconteceu. Willis O’Brien passou quase trinta anos tentando elaborar, vender e realizar projetos de filmes de fantasia e de dinossauros, só para ser negado a oportunidade de replicar para o mundo o que ele havia feito pelo King Kong.

Alguns dos seus projetos não realizados incluíram:

- War Eagles (Águias de Guerra) – O roteiro tratava de uma expedição ao polo norte em que uma sociedade Viking é descoberta. Os Vikings andam de águias gigantes e dinossauros moram neste continente perdido também. No final, as águias iriam ajudar as pessoas proteger os EUA de invasores.

- Gwangi  – Um filme sobre a descoberta de um mundo perdido pré-histórico encontrado no Grand Canyon. A produção iniciou, mas foi impedido por uma troca na diretoria do estúdio RKO. Anos mais tarde, o seu sucessor, Ray Harryhausen, realizou o projeto em 1969. No Brasil foi lançado como O Vale Proibido (Valley of Gwangi em inglês).

- Valley of the Mists (Vale do Nevoeiro)/El Toro Estrada (O Touro Estrela) – Filme sobre o garoto mexicano cujo animal de estimação, um touro, luta contra um tiranossauro. A ideia não foi para frente, mas mais tarde, outro técnico de stop motion, Edward Nassour, tentou filmar a ideia. O filme foi produzido na década de 70, mas sem dinossauros.

  Na década de 50, Willis O’Brien achou trabalho em projetos de orçamento limitado como O Monstro Submarino (que copiou O Monstro do Mar e Godzilla, Rei dos Monstros) e O Escorpião Negro. Ele também participou no documentário Animal World. A ideia dele de juntar cowboys e dinossauros foi a base do roteiro de The Beast of Hollow Mountain (1956), dirigido por Edward Nassour. Nassour deu crédito para Willis O’Brien pela história, mas não o contratou para fazer os efeitos especiais.



Em 1960, O’Brien convenceu Irwin Allen, diretor de Animal World, a fazer uma refilmagem de O Mundo Perdido. Infelizmente, Allen optou para não usar stop motion para os dinossauros, notando o quanto esse tipo de efeito especial demorava para realizar. No final, lagartos com chifres de plásticos colados na cabeça e magnificados através de truques de fotografia foram usados como dinossauros. O’Brien ajudou um pouco com a fotografia, mas o resultado é longe do que ele havia imaginado.

No mesmo período, O’Brien teve mais uma ideia para um filme: trazer o King Kong de volta às telas. A ideia dele era para criar um oponente para o macaco enorme: um monstro criado a partir de vários animais africanos. O nome do projeto era King Kong vs. Prometheus. A origem do nome do oponente do Kong vinha do livro Frankenstein da Mary Shelley, cujo título completo é Frankenstein, ou, o Prometeu Moderno. Willis tentou vender a ideia para vários estúdios, mas sem sucesso. Quem finalmente comprou a história foi o John Beck, um ex-produtor de Universal Studios.

Beck levou a história para o estúdio Toho em Japão. Toho gostou da premissa do filme e da proposta do Beck, que incluiu distribuição nos EUA pelo Universal, mas acabou fazendo algumas alterações na história. O monstro de Frankenstein/Prometeu foi tirado, pois o Toho tinha outros planos para ele. King Kong permaneceu, mas Toho achava que necessitava de outro oponente. Que tal o mais famoso e lucrativo de seus monstros, Godzilla? Afinal de contas, Toho queria fazer algo grande para comemorar o aniversário de 30 anos do estúdio e King Kong foi o oponente ideal para ressuscitar a série de Godzilla, que não havia aparecido num filme desde 1955. Toho pagou um valor absurdo—200,000 dólares—para RKO (o estúdio que retinha os direitos de King Kong) para poder usá-lo no filme. O filme foi para frente e acabou vendendo o maior número de ingressos para um filme de Godzilla, tanto em Japão quanto nos EUA. E Willis O’Brien? Mais uma vez ele foi negado a oportunidade de mostrar a sua magia ao mundo.

Vai para Parte 2.


Bibliografia

Ashlin, Scott. "King Kong vs. Godzilla". 1000 Misspent Hours and Counting. Retrieved from http://www.1000misspenthours.com/reviews/reviewse-g/kingkongvsgodzilla.htm .

Ragone, August. (2007) Eiji Tsuburaya: Master of Monsters. San Francisco: Chronicle Books.

Van Hise, James. (1993) Hot-Blooded Dinosaur Movies. Las Vegas: Pioneer Books.

Nenhum comentário:

Postar um comentário