quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Godzilla Against Mechagodzilla (2002)


Godzilla Against Mechagodzilla (2002)


Elenco: Yumiko Shaku, Shin Takuma, Kana Onodera, Ko Takasugi, Akira Nakao, Kumi Mizuno
Diretor(es): Masaaki Tezuka

Produtor(es): Shogo Tomiyama, Takahide Morichi

Sinopse: Nesta cronologia, o Japão tem sido alvo de vários monstros com o passar das décadas, embora o Godzilla apareceu em Japão apenas em 1954. Mas em 2003, o Godzilla reaparece em Japão durante um tufão e causa grandes estragos. Em resposta, o governo japonês constrói uma réplica robótica a partir dos ossos do primeiro Godzilla com o propósito de lutar em defesa do Japão. Mas esse novo Mechagodzilla? Será que vai ser mais máquina ou monstro?
Após o sucesso de GMK nas bilheterias japonesas, o Toho passou a responsabilidade diretorial de volta para o Masaaki Tezuka. Ansioso para aproveitar o novo interesse por uma plateia mais jovem, um novo desenho de Hamtaro foi planejado para acompanhar a estreia do novo filme de Godzilla. Além disso, os produtores recorreram mais uma vez a um membro dos “Grande 5” na forma de Mechagodzilla. Havia boatos no início de que o Anguirus faria a sua volta triunfante para as telonas neste filme, mas no final, ficou apenas o Mechagodzilla.

Diretor Masaaki Tezuka e Wataru Mimura criaram um filme extremamente semelhante ao Godzilla X Megaguirus, desde o foco num personagem feminino forte até a trilha sonora poderosa providenciada pela Michiru Oshima. Os dois também giram em torno da criação de uma arma contra Godzilla que tem potencial a ser mais perigosa do que o próprio Godzilla. Como todos os filmes desde Godzilla 2000, o roteiro se trata de um reboot. Como os outros filmes, os eventos de Godzilla, o Monstro do Mar aconteceram, mas diferente dos outros, outros filmes do Toho como Mothra, a Deusa Selvagem A Invasão das Gargântuas também fazem parte da cronologia interna do filme. Apesar dessa abordagem interessante, o filme deixa de explorar as possibilidades desse aspecto da história, que acaba sendo a principal falha do filme.
Afinal, há grandes questões éticas a serem levantadas ao criar um robô a partir dos ossos do Godzilla, sem contar todas as possibilidades dramáticas que surgem da seguinte premissa: se um ser artificial criado a partir dos restos de um monstro altamente destrutivo, o que aconteceria se a parte orgânica tomasse conta? O filme trata esta questão durante a segunda cena de ação, mas depois resolve-a de maneira tão simplista que nenhum espaço é deixado para reviravoltas criativas na história. Tezuka e Mimura tem bastante material para criar um filme mais complexo do que o último filme de Mechagodzilla e transformar um robô num verdadeiro indivíduo, mas acaba voltando para a zona de conforto para mais uma luta de monstros.
Por outro lado, o tema do filme é o mais humano dos últimos filmes da série, personificado pelos personagens Akane Yashiro (Yumiko Shaku) e Sara (Kana Onodera). Depois de um erro que prova ser fatal (para outros) durante o seu primeiro encontro com o Godzilla, Akane luta sem sucesso a achar um motivo para a sua existência, dando pouca causa para o seu destino. No outro lado do espectro, a Sara é sensível sobre a questão de morte, sentindo-se ofendida com a idea se ressucitar um ser vivo simplesmente para matar outro. É a sensibilidade da Sara que finalmente ajuda a Akane a enxergar a bênção que é a vida e completar a sua jornada como personagem.
Se Godzilla Against Mechagodzilla é dois-terços de um bom filme em termos da história, é também dois terços de um bom filme em termos de ação e efeitos especiais. Shinichi Wakasa está de volta em desenhar os monstros após a sua ausência em GMK. A fantasia de Godzilla para este filme é uma evolução do modelo estabelecido pelo Wakasa em Godzilla 2000 e Godzilla X Megaguirus. Os espinhos dorsais são menos exagerados, os dentes menos prominentes e os olhos são mais expressivos. O corpo da fantasia é mais detalhadamente esculpida esta vez do que as outras incarnações. Como no filme anterior, o bafo atômico azul está presente.
Esta nova versão do Mechagodzilla, apelidado Kiryu no filme, é a incarnação favorita de muitas fãs. O desenho é mais angular e modular do que o Mechagodzilla da década de 90. Também extremamente ágil e capaz em combate pessoal, não dependendo de apenas os foguetes, misséis e raios para ganhar. A sua grande arma é o canhão do zero absoluto, uma arma de congelar que baixa a temperatura do alvo para -273ºC, ou zero absoluto (a temperatura teorética em que todo movimento, até as vibrações no nível molecular, cessa). Esta arma se torna o modus operandi dos personagens mas no final, acaba sendo mais um McGuffin, ou algo que motiva os personagens, e que tem pouco efeito no andamento da história.
As cenas em si foram filmados misturando as técnicas de suitmation, ou homens em fantasia interagindo com miniaturas, com efeitos digitais. Efeitos ópticos como explosões, misséis no seu trajeto e raios de força foram inseridos no filme posteriormente. Além disso, computadores são utilizados para digitalmente remover cabos de sustentação e outros meios mecânicos utilizados para manipular as miniaturas. Está claro que Masaaki Tezuka aprendeu com os seus erros em Godzilla X Megaguirus. A qualidade dos efeitos digitais é razoável, sendo utilizados principalmente para ampliar o mundo, e não criá-lo do zero, que seria além da capacidade dos cineastas.
As cenas de ação que marcam o início e fim do filme têm bastante emoção. No começo do filme, Godzilla aparece em Japão durante um tufão. A cena é clássica. Um repórter está perto de uma barreira de tsunami, falando para a câmera enquanto as ondas se chocam na barreira. Uma onda particularmente alta surge e bate na barreira, inundando o jornalista, que continua com a reportagem. Então, uma figura familiar emerge do mar atrás do jornalista que a princípio, nem percebe o que esta acontecendo. O final começa com um conflito feroz e violento entre o Godzilla e o exército, antes do Mechagodzilla aparecer para salvar o dia.
Por outro lado, a segunda cena de monstros é uma grande decepção. Godzilla encontra com o Kiryu pela primeira vez. O segundo dispara todas as suas armas contra o Godzilla, que por sua vez, fica pairado no lugar, sem reagir. Depois o Godzilla simplesmente vira as costas e voltar para o mar. É um momento capaz de chatear muitos fãs de luta de monstro e impede este filme de atingir maiores alturas.
O filme fez sucesso em Japão e Tezuka iria dirigir o próximo filme, uma continuação da história do Kiryu que foi a única sequência direta na série desde os anos 90. O filme foi lançado em DVD nos EUA pela Sony, mas existe no Brasil só como versão pirata por alguns vendedores em bairros asiáticos e alguns vendedores online. Godzilla Against Mechagodzila é uma grande diversão, mas fica na mesmice demais para realmente se destacar.



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