sexta-feira, 29 de julho de 2016

Mothra, a Deusa Selvagem (1961)


Mothra, a Deusa Selvagem (1961)

Inglês: Mothra

Japonês: Mosura

Elenco: Frankie Sakai, Jerry Ito, Hiroshi Koizumi, Emi Ito, Yumi Ito, Takashi Shimura, Kyoko Kagawa, Akihiko Hirata
Diretor: Ishiro Honda

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

Godzilla foi o primeiro kaiju criado pelo estúdio Toho e serviu, pelo menos no seu primeiro filme, como metáfora pela destruição que o Japão sofreu pelas bombas atômicas (mais o entulho radiativo espalhado pela primeira bomba H). A sequência ao primeiro filme de Godzilla, Godzilla Contra-Ataca (1955), foi o primeiro filme de kaiju de ter dois monstros lutando. Rodan, O Monstro (1956) foi o primeiro filme de kaiju colorido. Daikaiju Baran (1959) não representou nenhum avanço para o gênero, mas o próximo filme de kaiju, Mothra, a Deusa Selvagem apresentou algo de novo: e se o kaiju em questão era, afinal de contas, um monstro benevolente?
O roteiro deste filme é bastante interessante. Durante uma furação, um navio japonês encalha numa ilha conhecida como Ilha Infante. Pouco tempo depois, um helicóptero descobre quatro sobreviventes na praia, o que surpreende as autoridades, pois um teste atômico havia sido realizado nas redondezas há pouco tempo. No entanto, os quatro homens não estão vomitando os seus órgãos internos devido ao envenenamento de radiação? Como foi que isso aconteceu? Bem, segundo os sobreviventes, os nativos da ilha haviam dado um suco especial para eles tomarem.

Espere aí? Nativos? Quer dizer que a ilha não estava desocupada quando o país fictício de Rolisica explodiu a bomba? Diante dessas descobertas, o país de Rolisica manda uma expedição para a ilha para pesquisar. Alguns cientistas japonesas, inclusive o antropólogo Dr. Chujo (Hiroshi Koizumi, que voltaria para este papel 42 anos depois em Godzilla: Tokyo SOS). Um jornalista, Senichiro “Bulldog” (Frankie Sakai), entra escondido no navio e acaba fazendo amizade com Dr. Chujo. O líder da expedição é o Nelson (Jerry Ito), que tem motivos pessoais por querer visitar a Ilha Infante.

Na Ilha, o Dr. Chujo descobre uma caverna cheia de escritos antigos...e uma planta carnívora. Ele é salvo por duas pequenas fadas (Emi e Yumi Ito). No próximo dia, a equipe científica descobre as fadas, e o Nelson tenta raptá-las, mas é impedido pela chegada dos nativos. Depois da volta do navio para Tóquio, o Nelson retorna à ilha sem avisar ninguém e sequestra as fadas, transformando-as numa sensação do palco. Mas o que ele não sabe é que a música que elas cantam é um grito de socorro para o seu deus, Mothra. E não demora muito antes da Mothra sair da ilha em busca de suas pequenas sacerdotistas.

O maior problema com o filme, o que fez com que eu não gostasse dele durante muitos anos, é o ritmo meio lento. Demora uns quarenta minutos antes de vermos a forma lagarta de Mothra (“Moth” significa “mariposa” em inglês) e a Mothra adulta só aparece nos últimos dez minutos. Mas se for uma pessoa paciente, será mais fácil apreciar os momentos mais quietos entre as cenas de destruição e poderá perceber que o roteiro mantem os protagonistas ocupados no último ato do enredo, em vez de transformá-los em meros espectadores.

Os efeitos especiais são ótimos e bastante detalhados. Isso se aplica principalmente às miniaturas que a Mothra destrói, tanto em Tóquio quanto em New Kirk City (re: Cidade de Nova Iorque) no país de Rolisica. O final é especialmente impressionante, pois podemos ver a destruição de prédios, uma cópia fiel ao Brooklyn Bridge e dezenas e dezenas de carros sendo levados pelo ar por causa do vento que as asas gigantescas da Mothra produzem. Este filme e a sua sequência, Godzilla Contra a Ilha Sagrada (1964), representam a Era Dourada da Mothra e contem os melhores efeitos visuais quanto a realização dela, pelo menos até 2001. Há também uma cena muito bem montada mostrando a destruição de uma represa que foi roubada posteriormente para o filme taiwanês Thunder of the Gigantic Serpent.

A música não foi compositada esta vez pelo Akira Ifukube, mas por Yuji Koseki. O estilo dele é diferente das marchas épicas do Ifukube e ritmos jazz do Masaru Sato. Koseki cria músicas que lembram um filme de Hollywood dos anos 30 e 40, que é bastante diferente do normal. Mas as canções das irmãs Ito são lendárias, principalmente “A Canção da Mosura,” o que é cantada em vários filmes em que esse monstro aparece. No final, é um filme de monstro que realmente vale a pena assistir.

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