quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Godzilla de Kazuhisa Iwata

Godzilla de Kazuhisa Iwata



Roteiro e arte: Kazuhisa Iwata
Arte da Capa: Bob Eggleton
Ano de Publicação: 1988-1989 (livros em quadrinho); 1995 (Trade Paperback)
Editora: Shogakukan, Inc (mangá original); Dark Horse Comics, Inc (versão inglesa)


A tradução em inglês do mangá Godzilla foi a primeira publicação de Dark Horse de Godzilla no final dos anos 80. Antes, o Godzilla havia sido o protagonista/anti-herói de uma série de quadrinhos do Marvel, que parou de publicar quando Toho Studios aumentou o preço da licença do nosso dinossauro radiativo favorito. Dark Horse adquiriu os direitos a Godzilla em 1988 e, depois de importar esta mangá baseada no filme Godzilla 1985/Return of Godzilla, passou a publicar uma série em quadrinhos.

A história é igual ao filme (versão japonesa), mas parecido como a versão americana, troca a ordem cronológica de alguns eventos. Infelizmente, essas mudanças na sequência de acontecimentos faz a trama ficar incoerente. Por exemplo, Godzilla ataca a usina nuclear antes da reunião entre o Primeiro Ministro de Japão e os embaixadores dos EUA e da União Soviética. No filme (ambas versões), é um grande passo ao governo revelar ao público que Godzilla está de volta e que foi responsável pela destruição do submarino russo, ainda mais que o mundo estava na beira de uma Terceira Guerra Mundial. Se Godzilla está atacando a usina nuclear logo após a destruição do submarino, não há nenhum sentimento de tensão entre países.

Pior é o tratamento da solução para o problema Godzilla: usar a frequência dos chilros dos pássaros para guiar o Godzilla até o vulcão, Monte Mihara, onde vai criar uma erupção controlada. No filme, isso sucede durante um período de alguns (ou até vários) dias. No livro, isso ocorre depois de Godzilla chegar em Tóquio, ou, em outras palavras, numa única noite. Isso quer dizer que conseguiram analisar as fotos, pesquisar as frequências (sem testar em Godzilla, ao contrário do filme--e pressupondo que todo equipamento já estava no seu laboratório), preparar a fita, mobilizar o SDF de Japão para implantar bombas nas encostas de Monte Mihara, etc. etc. etc. num período de algumas horas. Tudo acontece tão rápido que até parece meio ridículo.

Tem algumas diferenças na caracterização dos personagens. Maki Goro, o jornalista, parece ser mais egoísta e temeroso, principalmente quando o Dr. Hayashida e Naoko estão preparando a fita com a frequência dos pássaros. Mas de repente no final, a Naoko se torna pessimista e assustada, e é o Goro que tem que animá-la. É um tanto bizarro.

A arte é boa. A capa é uma pintura do lendário Bob Eggleton, que fez a arte na maioria das capas dos quadrinhos de Godzilla da Dark Horse, mais o trade paperbacks publicados depois. A arte do mangá é interessante. Os personagens são desenhados no estilo típico de um mangá japonês (gosto do personagem de Dr. Hayashida, que parece o Dr. Wiley dos jogos de Megaman, se tivesse usado anabolizantes). Mas as cenas de destruição e o Godzilla são desenhados de forma bastante detalhada e realista, de modo que os dois estilos não sempre combinam. Mas há umas lindas spreads de Godzilla que tomam ou a página inteira, ou até duas páginas, que não devem ser ignoradas. Duvido que os fãs que não gostam de Godzilla 1985 serão convertidos através deste graphic novel, mas há bastante arte bonita aqui que não deve ser descontando completamente.

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