sábado, 25 de março de 2017

A Guerra dos Monstros (1965)

Título: A Guerra dos Monstros (1965)

Titulo em Inglês: Monster Zero; Godzilla vs. Monster Zero; Invasion of the Astro-Monster


Título em Japonês: Kaiju Daisenso

Elenco: Akira Takarada, Nick Adams, Kumi Mizuno, Jun Tazaki, Akira Kubo, Keiko Sawaii, Yoshio Tsuchiya
Diretor: Ishiro Honda
Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

Quando escrevi sobre Ghidrah, o Monstro Tricéfalo, comentei que aquele filme representou tanto o final da trilogia Mothra/Peanuts, quanto o começo da trilogia Ghidorah. Se aceitar esse ponto de vista, então o próximo filme de Godzilla, A Guerra dos Monstros, seria necessariamente o segundo filme da trilogia. Há um debate entre fãs sobre qual desses dois filmes é melhor, com bons argumentos para ambos os lados. A ação monstruosa de Ghidrah era melhor em termos de peso e volume, mas por outro lado, a trama de Guerra dos Monstros é montada melhor e segue uma lógica mais precisa entre os eventos do filme.

Dependendo da fonte, o roteiro do filme ocorre ou logo após os eventos de Ghidrah, ou em turno de duas décadas. Em outras palavras, o filme ocorre na década de 80, uns dez a quinze anos antes dos eventos de O Despertar dos Monstros (1968). Isso explicaria as melhorias tecnológicas que permitem que os astronautas Fuji (Takarada) e Glen (Nick Adams, que apareceu em Frankenstein Conquista o Mundo no mesmo ano) viajem para Planeta X, escondido atrás do Júpiter, num foguete. Por outro lado, se o cenário desse filme é da década de 60, devemos pressupor que os eventos dos filmes Os Bárbaros Invadem a Terra (1957) e A Guerra no Espaço (1959) também fazem parte da cronologia de Godzilla.

No Planeta X, os dois astronautas descobrem uma civilização avançada vivendo numa cidade subterrânea com medo do “Monstro Zero” que vive na superfície do planeta. O Monstro Zero na verdade é o próprio King Ghidorah, e os alienígenas não possuem a tecnologia para matá-lo. O que sugerem é que a Terra empreste dois monstros, Godzilla e Rodan, para derrotar o monstro e salvar o seu planeta. Em troca, os alienígenas prometem dar a fórmula para uma droga que pode curar todas as doenças. Sabe, uma vez o lendário Akira Kurosawa falou que o diretor Ishiro Honda, que frequentemente trabalhou como o seu assistente, era pouco cético para o mundo em que vivia. Se esse cenário acontecesse na vida real (ou pelo menos filmado hoje em dia), imagino que haveria um sub-plot sobre a indústria farmacêutica fazendo de tudo para opor a divulgação desse medicamento milagroso, até fazendo tentativas de sabotagem da missão para impedir que isso ocorresse. Também, o cliché do capitalista do mal iria aparecer na forma de um ator imitando Martin Shkreli.

A Terra, representada pelo Dr. Sakurai (Jun Tazaki), aceita os termos dos Xianenses(?) e concede permissão para eles levarem o Godzilla, dormindo no fundo do Lago Myojin, o Rodan, que de alguma forma entrou na montanha Gekigasawa e está dormindo lá. No meio de tudo isso, há uma história paralela em que a irmã do astronauta Fuji, Haruno (Keiko Sawaii), está namorando com um inventor nerd (Akira Kubo), que o Fuji detesta. O inventor, Tetsui, acabou de criar uma bugiganga que serve com uma proteção para mulheres na rua, emitindo um barulho tão alto que pode ser ouvido sobre uma distância de mais que um quarteirão. Ele está vendendo a sua invenção para uma empresa, cujo representante é Namikawa (Kumi Mizuno), que por coincidência está namorando com Glen.

Desconfiado da Namikawa e seus superiores, o Tetsui a segue até uma ilha, onde ele é capturado.
Os monstros terráqueos chegam ao Planeta X, e derrotam o grande destruidor de planetas em dois minutos. Os alienígenas agradecidos concedem a fórmula para a cura ao Fuji, Glen e Dr. Sakurai, que voltam à Terra. Infelizmente, os alienígenas estavam mentindo o tempo todo. Eles possuem a tecnologia para controlar os monstros, e agora tem três monstros gigantes além de suas próprias armas para conquistar a Terra. Num ultimato que só poderia ser dado durante a Guerra Fria, eles declaram que o povo da Terra deverá tornar-se uma colônia do Planeta X e submeter-se ás ordens do computador central do planeta, ou serão destruídos. O medo de o indivíduo perder a sua identidade e arbítrio diante do Estado é algo visto em muitos filmes de ficção científica durante a década de 50. Então, os cientistas e o exéricito tem 24 horas para descobrir como derrotar a tecnologia dos Xianos(?) e achar o ponto fraco dos invasores. Felizmente, há um certo significado na captura do Tetsui...



Para quem já assistiu tanto este filme quanto Ghidrah, o Monstro Tricéfalo, é fácil entender os proponentes deste filme. O roteiro é muito mais focado e os sub-plots (a invenção de Tetsui, o namoro do Glen com Namikawa) ainda estão relacionados com a trama principal da invasão da Terra pelos habitantes do Planeta X. Por outro lado, este filme tem um ritmo muito mais lento, apesar da aparência de King Ghidorah nos primeiros 15 minutos. Depois disso, é quase meia hora antes do Godzilla e o Rodan aparecer novamente. Além disso, as batalhas monstros são entre as mais breves de todos os filmes de Godzilla, principalmente o último. A propósito, a última luta entre os três kaiju é um exemplo bizarro de uma luta kaiju que termina o filme que não precisa acontecer, pois lutam após a derrota dos invasores pelos terráqueos. King Ghidorah poderia ter fugido antes da luta final e o resultado teria sido o mesmo.

Se não há muitas cenas de monstro, então o Tsuburaya capricha em 95% do seu trabalho, descontando uns 30 segundos ou tal do filme Rodan que foi acrescentado às cenas novas. As cenas no espaço e no Planeta X são ótimas pelas expectativas de 1965 (lembrando que 2001: Uma Odisseia no Espaço só iria revolucionar o gênero em 1968) e são mais convincentes do que cenas semelhantes em Godzilla vs. Space Godzilla, produzido quase 30 anos depois! Também o desenho de cenário na base dos Xianos no Planeta X, é simples, mas bastante eficaz. Como criança, a cena do Fuji andar pelos corredores escurecidos me assustava.

A nova fantasia de Godzilla, embora não tão icônico quanto ao dos últimos dois filmes, é eficiente e forte. Tsuburaya contruiu um pé de Godzilla de dois metros para interagir um miniaturas de uma escala aparecida e aparecer mais realista. O Rodan sai melhor aqui do que no filme anterior. O Ghidorah é o mesmo, embora menos ameaçador aqui do que na sua primeira aparência. A utilização de fantoches, o que mais prejudicou os efeitos do último filme, foi diminuída bastante, felizmente. A maior utilização deles vem quando o foguete espacial está saindo do Planeta x, e vários fantoches em escalas diferentes foram fabricados para demonstrar a distância entre os humanos e os monstros. Esse efeito ficou muito legal.

A música do maestro Akira Ifukube é uma forte exploração dos temas musicais do filme anterior. Ele utiliza o theremin para vários cenas no espaço, como os filmes de ficção da década de 50, que cria uma atmosfera  apropriada para um novo mundo. Às vezes ouvimos o tema de luta dos monstros de Ghidrah, mas arranjado da maneira mais minimalista, que é interessante, considerando a simplicidade da base dos alienígenas. A maior diferença entre a versão americana e a versão japonesa em termos de música é que na versão japonesa, ouvimos o tema militar que Ifukube criou no Gojira original durante a abertura. Na versão americana, ouvimos a música de theremin que ouvimos em outras cenas.




Pessoalmente, prefiro o Ghidrah, o Monstro Tricéfalo a este filme, mas reconheço os pontos em que o filme conseguiu se destacar do outro, inclusive a única batalha de Godzilla no espaço, e os pontos em que supera o outro. Há bons efeitos, boas cenas de monstros, boa música e um belo toque de humanidade que só o Ishiro Honda sabia colocar nesses filmes naquela época. Recomendado.

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